“Jesus se fez obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8)

1 (43) (1)Nos dias 23 a 25 de agosto de 2016, nós, noviças do primeiro ano, participamos do terceiro novinter do Vale do Paraíba, cujo tema de estudo foi o voto de obediência na Vida Consagrada. Pudemos refletir mais profundamente sobre este conselho evangélico e o compromisso que sua vivência exige de cada uma de nós, como exigiu de Noé, de Abraão, de João Batista, de Maria e do próprio Jesus, cuja essência da própria vida foi um incessante “fazer a vontade do Pai”, como Ele mesmo disse: “O meu alimento é fazer a vontade Daquele que me enviou.” (Jo 4,34);

 Durante o estudo, refletimos sobre a conhecida parábola do filho pródigo, que, na verdade, poderia ser chamada de “A acolhida do Pai misericordioso”, visto que a ênfase da história recai sobre a atitude de amor misericordioso do Pai. Com a ajuda da parábola pudemos observar diferentes formas de “obedecer”, que podemos assumir em nossas vidas, como, por exemplo, a atitude do filho mais novo, que preferindo ouvir vozes alternativas, decide não escutar a voz do Pai, saindo de casa; e também a forma de obedecer do filho mais velho que, estando em casa, travestia a desobediência sob a demonstração de fazer tudo corretamente, quando, na verdade, se encontrava distante da intimidade de vida com o Pai. Devemos, portanto, assumir em nossas vidas a importância de ter os ouvidos colados no peito do Pai, para assumirmos nossa verdadeira identidade de filhos, visto que o ser humano se torna a Palavra que escuta.   Fazer a vontade do Pai significa colocar-se a sua inteira disposição, esvaziando-se de si num constante discernimento da Palavra escutada. Somos convidadas a nos tornarmos como o Pai, deixando de lado o nosso auto protagonismo, reconhecendo que Deus é o Absoluto de nossas vidas. Dessa maneira cada uma de nós deseja assumir na sua individualidade, a vivência deste voto:

 “Através do refletido e partilhado no Novinter com respeito a este voto sinto-me provocada a estar mais atenta ao que escuto; porque ouvir não é só perceber o som, mas perceber o sentido. Na vida Consagrada é de vital importância esta atenção, vigilância do que   escuto  já que  o  ser humano se  torna  consequência da  palavra escutada. Para isto é necessário o discernimento para não dar ouvidos a palavras alternativas, mas a semente Divina que o Pai colocou em mim. Sem me esquecer da nossa única ajuda o Espírito Santo Paraclito, que nos ilumina e nos guia nos da à virtude da humildade para nos reconhecer limitados, mas sempre chamados pelo Pai da   Misericórdia,   a   uma   dinâmica   sempre   nova   de   conversão.   Acolhendo   a manifestação   de   Deus   em   nós   e   em   nossos   irmãos,   estando   sempre   abertos e disponíveis a nos refazer, na vontade do Senhor.” (Noviça Johanna Ortiz Zúñiga).

1 (48) (1)“Durante os dias do novinter, me aprofundei no voto de obediência, na sua grandiosidade, que a olhos “normais” é visto como uma loucura, mas com olhos da fé é a liberdade e a comunhão que lemos, meditamos e conhecemos, pelas Sagradas Escrituras, que viveram Adão e Eva (antes do pecado original), Noé, Abraão, Maria e tantos outros. Aprofundar-se nesse “mar” de liberdade e comunhão com Deus assusta, mas hoje não me vejo distanciando-me desse “mar”. Um pássaro que viveu muitos anos de sua vida engaiolado, preso a pequenas coisas, no momento em que lhe abrem as portas da gaiola e lhe convidam a sair e voar, tem medo, tem receio no inicio, mas a natureza do pássaro o chama para a liberdade, para voar. Dia após dia é assim que   me   sinto,   como   um   pássaro   que   está   conhecendo   realmente   se conhecendo, querendo e aprendendo a voar a ser livre, dentro da sua natureza, da minha essência de filha de Deus. Dando um passo de cada vez e procurando sempre escutar a voz do Senhor que me guia, por meio de tantas mediações, agradeço a oportunidade   que   Ele   e   que   a   congregação   me   brinda   de   poder   alçar   vôo   e aprofundar-me   neste   “mar”,   nesta   liberdade   da   vida   consagrada.”  (Goreth   Batista Ferreira).

 “Tendo estudado o voto de obediência neste  novinter e tendo   em  conta  o conteúdo   que   também   estudamos   na   casa   de   formação,   compreendo   o   voto   de obediência como o compromisso assumido pelo religioso de se empenhar com todos os esforços, mas, sobretudo, com confiança na Graça de Deus, em fazer a vontade Dele. É a obediência à vontade de Deus que rege toda a “hierárquica” organização da Igreja, da  Congregação,   da  comunidade, enfim,  a  disposição  de   cada pessoa  em cumpri-la. Alcançar conhecer essa vontade, ainda que de algum modo ela não seja tão nítida como eu gostaria que fosse, exige colocar-me inteiramente à disposição do Senhor, como fez a própria Virgem Maria e, de forma irrepreensível, o próprio Jesus, que   se   fez   obediente   até   a   morte   e   morte   de   cruz;   exige   também   o   profundo conhecimento de mim mesma, da minha interioridade, para que eu aprenda a lidar diariamente com minhas próprias limitações, com as limitações alheias e as diversas situações difíceis, conflitantes que surgem, buscando no íntimo de mim a inspiração divina para discernir e distinguir a minha própria vontade da vontade de Deus. “Escutando, confiando e obedecendo à voz Dele, que fala através das pessoas, dos acontecimentos, da oração, a obediência em qualquer outra situação da vida, na congregação e na comunidade, acontecerá serena e pacificamente.”  (Angra Mota da Silva).

 O estudo do conteúdo neste novinter me ajudou a conhecer e aprofundar mais o verdadeiro significado do voto de obediência, o qual surge de uma escuta atenta à voz de Deus. É uma obediência que não se limita somente no cumprimento de ordens, mas é aquela que nasce de um verdadeiro encontro com o nosso Pai, através dos sentidos podendo captar os apelos que Ele nos realiza em nosso dia a dia, utilizando- se de diferentes mediações como pessoas, situações, etc. A forma como se ouve é o que faz a diferença, razão pela qual temos que estar num trabalho constante e atento no discernimento da própria vontade e da vontade de Deus. Na escuta aos apelos de Deus, se tem como consequência a renuncia a própria vontade, é tarefa nossa reconhecer e acolher a vontade de Deus como nova identidade de filhos, tendo diferentes exemplos como João Batista, A virgem Maria e aquele que ainda na sua condição de filho aprendeu o que foi a verdadeira obediência Jesus Cristo; Ele que nos momentos de maior dificuldade não renuncia a vontade do pai, mas quis ser fiel ate o final; entregando-se totalmente ao pai. Uma vida na obediência a Deus é uma caminhada no enfrentamento das dificuldades, por tanto nosso pensar, agir e falar seja trazer presente, gerar em nossas vidas Cristo. Esta é uma tarefa que todos temos, sem se cair no desespero do fracasso, mas de termos confiança de que Jesus está e estará sempre conosco em nossa caminhada, levando-nos pela mão. (Diana Marcela Castro Castañeda).

Agradecemos a Congregação pela oportunidade a nós oferecida de participarmos deste terceiro novinter.

Atenciosamente noviças do primeiro ano (Angra, Goreth, Johanna e Marcela).

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